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| Noticias do Mercado de Terras |
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21/07/2008 Grãos elevam valor da terra em 17%
São Paulo, 21 de Julho de 2008 - Os proprietários de terras no Brasil têm motivos para comemorar, pois o bem valorizou-se, em média, 17% nos últimos doze meses. Mas, a notícia poderia ser melhor, se não fosse a inflação, que transformou o expressivo percentual, em ganhos reais de 2,9%, descontando-se o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna . O levantamento, feito pela AgraFNP, delega aos bons preços dos grãos o cenário de valorização das terras. Segundo Jacqueline Bierhals, responsável pelo estudo, o aumento da procura de terras por estrangeiros e a recuperação da pecuária também vigoram na lista dos responsáveis pelo bom cenário para as terras.
Um hectare no Brasil está valendo, em média, R$ 4.287 (valor apurado em maio e junho), bem próximo dos R$ 4.306 (nominal) registrados em maio de 2004, um dos melhores anos para a agricultura brasileira, segundo Jacqueline. De janeiro a junho, a valorização real das terras foi de 7,25%. No primeiro mês do ano, o hectare médio no País valia R$ 3,998.
Entre os principais estados que têm forte vocação agrícola, o Paraná está entre os que tiveram mais valorização da terra. Nos últimos 12 meses, o preço da terra subiu 23,4%, de R$ 7.056 o hectare para R$ 8.710.
O corretor de imóveis Aparecido Rosseti afirma que o movimento de compra de terras cresceu de 10% a 15% no município de Campo Mourão, a 80 quilômetros de Maringá (PR). "O pessoal não está intimidado com o preço maior. Querem é ganhar com soja e milho", diz Rosseti. Ele conta que um alqueire em sua região (24,4 mil metros quadrados) valia há um ano R$ 1 mil, valor que atualmente está em R$ 1,4 mil (terra roxa).
Já para arrendamento o mercado não está bom. Geraldo Molinari, produtor de soja da mesma região paranaense, afirma que os custos maiores da soja não compensam o custo de arrendar. "Com soja e milho não compensa. A cana é que estava pagando melhor já abaixou", calcula o produtor.
Mas, as cotações altas de soja e do milho vieram com custos de produção também maiores, o que está inibindo o mercado de compra e venda em algumas praças, como em Mato Grosso. Ricardo Tomczyk, presidente do sindicato rural de Rondonópolis, um dos mais importantes municípios produtores do estado, conta que houve desaquecimento desse mercado, principalmente pelo recuo do crédito para custeio do plantio. "Para se plantar o mesmo volume de soja, é necessário o dobro de dinheiro. E as instituições de crédito não estão liberando recursos para a atividade agrícola", diz Tomczyk.
Ele conta que os estrangeiros, tais como argentinos e americanos, estão bem ativos na procura de propostas, mas que, ainda assim, os negócios fechados estão pequenos. "Há grupos de argentinos e americanos que estão sondando todas as regiões do estado, coletando propostas para aquisição de terras. Estão garimpando tudo e aproveitando só as melhores oportunidades. Acabam barganham muito e há notícias de fechamento de negócios desvantajosos para o produtor mais endividado", acrescenta o dirigente, que também é produtor rural.
A forte migração da pecuária para o Norte do País valorizou o preço da terra nos estados da região. O Acre registrou o maior percentual de valorização do País - 62%. O preço médio do hectare no Estado saiu de R$ 579 para R$ 935. "Temos que considerar que a base de cálculo é menor - em São Paulo, por exemplo, o hectare custa R$ 12,2 mil - por isso, o percentual cresce muito. Mas, é evidente que a pecuária cresce no Norte", arremata Jacqueline. No Pará, a terra valorizou-se 31%.
Menor desempenho
Depois de Roraima (3%), a menor valorização nos preços de terras foi verificado em São Paulo, maior produtor de cana-de-açúcar do País. De acordo com levantamento da AgraFNP, nos últimos 12 meses, o hectare valorizou-se 4% no estado, saindo de R$ 11.520 para R$ 12.200. "Os preços deprimidos do açúcar e do álcool motivaram esse desempenho menor", explica Jacqueline. Mas, se for considerado um período de 36 meses, em que abrange época de bons preços dos produtos da cana, a valorização das terras acumula 29%.
A nova fronteira agrícola conhecida como região do "Mapito" também vem apresentando forte alta em preços desses bens. No Piauí a valorizaçaõ média foi de 56%, em Tocantins de 29% e no Maranhão, de 16%. "Nessa região, há relato de forte atuação de fundos estrangeiros comprando terras", conta a especialista.
Fonte: (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 6)(Fabiana Batista)
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