18/08/2008
Preços de terras voltam a subir no estado de Goias
Depois da cana-de-açúcar, a alta dos grãos, notadamente soja e milho, e da arroba do boi está provocando uma nova corrida à compra de imóveis rurais em Goiás.
Os negócios, que antes se arrastavam até por dois anos, agora estão sendo realizados com mais agilidade.
Essa maior demanda, que virou uma febre nacional, também contribuiu para puxar para cima o preço do hectare de terra, que chega R$ 7.800,00, na região agrícola de Rio Verde e Santa Helena.
Cotações
Nos últimos 36 meses, as cotações das terras destinadas à agropecuária no Estado subiram 48% em média, chegando a 306% nas áreas de cerrado agrícola no Entorno de Brasília, frente a uma inflação de 20% no período, conforme mostra o levantamento bimestral da Agra FNP, divisão no Brasil do grupo Agra Informa do Reino Unido.
O empresário Celso Pereira Machado tem muito a comemorar com a reação do mercado de imóveis rurais. Depois de dois anos que estava oferecendo à venda sua fazenda, localizada no município de Bela Vista, ele conseguiu fechar o negócio e atribui isso ao bom momento das cotações das commodities agrícolas.
Na opinião de Celso Machado, o investimento em imóvel rural é um bom negócio desde que a pessoa não tenha pressa em obter ganhos ou mudar de atividade. “A longo prazo o mercado rural responde satisfatoriamente”, garante. Ele conta que, há 14 anos, adquiriu a propriedade por R$ 153 mil, o correspondente a US$ 90 mil. Agora, a vendeu por R$ 1 milhão.
O empresário disse acreditar tanto no mercado de terras que já está olhando outras fazendas para adquirir. Sua pretensão é comprar uma extensão maior de terra, num município mais longe de Goiânia, onde vai plantar eucalipto, que será usado como fonte renovável de energia pelas indústrias.
Valorização
O preço médio do hectare de terra em Goiás vale cerca de R$ 3.739,00, abaixo do valor médio nacional, de R$ 4.287,00, mas 48% acima da cotação de 36 meses atrás, e de 16% superior ao que valia a um ano.
As terras mais caras do Estado localizam-se no Sudoeste Goiano, nos municípios de Rio Verde e Santa Helena de Goiás, onde o hectare de terra agrícola de alta produtividade de grãos está em R$ 7.800,00. Já as mais baratas encontram-se na região de Mozarlândia, onde um hectare de cerrado nos municípios de Bonópolis e Porangatu está cotado a R$ 620,00.
A região goiana de maior valorização no ranking nacional, de 306% nos últimos 36 meses, e de 92,21% em 12 meses, é do Entorno de Brasília, nas terras agrícolas de alta produtividade de grãos (Cristalina e Formosa) e as de pastagem formada de alto suporte. A alta é devido à disputa dos títulos de concessão de uso, já que as terras disponíveis pertencem à União.
Alerta
O assessor de Assuntos Econômicos da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Pedro Arantes, acha que já passou a euforia da expansão da cana-de-açúcar e agora a corrida é para plantar soja e milho.
Segundo ele, a realidade no meio rural mudou muito nos últimos 30 dias. É que as cotações das commodities agrícolas caíram na Bolsa de Chicago, e acabou a fase especulativa das cotações. Além disso, até outubro, serão definidos os rumos da safra brasileira de grãos e sairá o balanço da safra norte-americana. Com isso, Pedro Arantes acredita que o mercado de terras ficará travado nos próximos dois meses.
Contudo, ele reconhece que houve uma recuperação dos preços das terras em Goiás, que haviam desvalorizado muito com a crise no campo registrada até 2006.
Fonte: Jornal O Correio News