Noticias do Mercado de Terras
                 
08/10/2008
Preço do hectare de terra dobra em 13 anos na Região de Campinas/SP

O preço da terra na zona rural dobrou nos últimos 13 anos anos na Região Metropolitana de Campinas (RMC). Um levantamento de preços feito anualmente pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), ligado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, mostra que de 1995 a 2008, o valor médio do hectare (ha) de terra em imóveis rurais com cultivo na região passou de R$ 12.815,82 para R$ 25.723,14. A região possui um dos maiores valores por hectare no Estado.

A principal causa para a valorização das terras da zona rural da RMC é o boom imobiliário. Cada vez mais os grandes empreendedores se vêem obrigados a expandir o raio de suas construções atrás de novas áreas, segurança, conforto ou qualidade de vida para seus clientes.

“Mas podemos considerar que a evolução de preços foi normal”, afirma o pesquisador científico do IEA, Felipe Pires de Camargo. Para ele, pelo fato de Campinas ser uma região muito bem servida de rodovias, próxima de aeroportos, de portos e de São Paulo, o desenvolvimento de chácaras e condomínios poderia elevar mais o preço que em outras regiões.

“Mas nada de explosão de valores ou de preços absurdos foram verificados. Dentro do contexto de urbanização e pelo número de municípios no entorno de Campinas, a evolução foi normal”, diz.

A avaliação de Camargo também está baseada na confirmação de que neste mesmo período foi registrada uma evolução maior de preços em outras regiões, como de Araçatuba, Bauru, Botucatu e Ribeirão Preto. “A região de Campinas possui um dos maiores preços.”

O preço médio do hectare em Ribeirão Preto passou de R$ 9.362,09 para R$ 24.094,09, com valorização de quase 140% em 13 anos. Já em Araçatuba, passou de R$ 3.953,17 para R$ 14.244,04 — aumento de mais de 200%. Nesta região do Estado, além do aquecimento imobiliário, também ocorre a pressão da cana-de-açúcar para ampliar sua área de cultivo. Os cálculos são sempre baseados em preços correntes de mercado e não foram deflacionados.

“Na região Central do Estado de São Paulo os preços subiram muito mais, como em Araçatuba e Bauru, porque os preços das terras antes eram muito baixo”, afirma Camargo. “Em valor nominal, ainda custam menos que na região de Campinas, mas a evolução foi maior, com uma certa recuperação de preços”, diz, explicando que há diferenças também em relação ao destino das áreas.

Zoneamento

O presidente regional da Associação Estadual dos Loteadores (Aelo), Antonio Andrade, diz que a questão imobiliária afeta os valores de mercado quando a área está dentro do Plano Diretor do município que permita o zoneamento. Caso contrário, quando não existe esta prerrogativa e a área é exclusivamente rural, não existe pressão imobiliária e nem de preços. “Em Campinas praticamente já nem existe mais áreas rurais que podem ser zoneadas, mas nas cidades da região ainda isso é muito forte”, explica.

Andrade fala também que, desde que a área seja zoneada, nem é interessante para o proprietário manter produção agrícola. “Ficará cercado”, justifica. “Se for o contrário e a área estiver fora do zoneamento urbano, é problema para o proprietário, que, muitas vezes, quer o loteamento, mas não pode fazer nenhum empreendimento no local nem consegue ficar na terra.”

O preço apresentado pelo IEA, de acordo com Andrade, está bem dentro da realidade que os loteadores trabalham, mas ainda nas áreas consideradas rurais. Neste valor de R$ 25.723,14, o metro quadrado custa R$ 2,5. “As áreas que passam a ser zoneadas, como as que estão próximas ao Galleria Shopping, custam mais de R$ 80,00 o metro quadrado.”

Agricultor resiste, mesmo cercado por condomínios

Apesar da pressão imobiliária, o agricultor Tiago de Araújo Dalben ainda resiste em suas terras. Ele cultiva hortaliças e legumes e mora a 10 minutos de carro da região central de Campinas. Cercado por grandes condomínios, como o Alphaville, Dalben diz que nasceu e cresceu plantando e colhendo.

“A área total pertence a oito irmãos”, fala. “A minha parte tem 1,5 hectare, onde planto chuchu, caqui, abóbora, berinjela, repolho e couve-flor, dependendo da época do ano.” Na propriedade também há um pesqueiro. “Acho que por enquanto é cedo para falar em venda, apesar de a pressão ser muito grande.”

A alguns metros da entrada de sua propriedade estão sendo comercializadas áreas para um novo condomínio. “O problema é que para comprar a propriedade da gente o preço é baixo. Depois ela é vendida por um preço muito mais alto”, reclama. “Então eu prefiro ir plantando e colhendo até onde conseguir. Por enquanto posso dizer que estou muito satisfeito aqui.” Dalben, que tem 22 anos, diz que a terra é muito boa para a agricultura e tudo que planta consegue ter bons lucros. “Até mesmo com o chuchu consegui ter uma boa venda na semana passada. Colhi 98 caixas e vendi por R$ 15 a caixa. Por isso não dá vontade de sair e ir embora”, afirma. Para ele, além de ter um bom lugar para morar, a distância do Centro de Campinas é pequena, e tudo que precisa pode ser comprado rapidamente. “Estou há dez minutos da cidade Centro. Nosso sossego acabou com os condomínios, mas ainda vivemos muito bem.”

Fonte: Cosmo On Line

 


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