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14/10/2008
Hectare tem valorização de mais de 500% na região de Araçatuba/SP

O preço médio do hectare de terra na região de Araçatuba aumentou até 571,23% no período de dez anos. Os números são do IEA (Instituto de Economia Agrícola), ligado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, e correspondem à média dos 43 municípios da região administrativa de Araçatuba. A maior valorização foi no preço da terra de cultura de primeira, onde são plantadas as principais culturas da região por apresentar alta produtividade e ser mecanizável.

No período de um ano, a valorização chega a 20,81%, sendo a maior para a terra de cultura de segunda, que tem como características a potencialidade para culturas anuais e perenes, com algumas limitações, como declividade acentuada.

A expansão da cana-de-açúcar na região foi a maior responsável pela inflação no valor das terras, principalmente as próximas às usinas.

Segundo o levantamento, divulgado na semana passada, em junho de 1998, o preço médio do hectare da terra de cultura de primeira na região era de R$ 1.716,75, sendo o menor preço R$ 702,48 e o maior R$ 2.685,95. Em junho deste ano, o mesmo hectare está valendo em média R$ 11.523,42, variando de R$ 4.958,68 a R$ 16.528,93. As terras para culturas de segunda tiveram valorização de 550,38% no mesmo período, bem como as terras para pastagens, com aumento de 546,40% nos preços.

Com os valores atuais, as terras da região estão com preços bem acima dos de outras regiões do Estado, como Marília, Presidente Prudente, São José dos Campos, São Paulo e Sorocaba. Enquanto em Araçatuba o hectare da terra de primeira custa em média R$ 11.523,42, em Presidente Prudente a mesma metragem de terra sai por R$ 3.254,13, por exemplo.

De acordo com o diretor da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica e Integral) de Araçatuba, Marcelo Moimás, os preços das terras na região começaram a inflacionar a partir de 2000 com o aumento da procura de terras para o plantio de grãos.

Mas foi a partir de 2003, com o aumento das áreas plantadas com cana-de-açúcar, que os preços dispararam. "A procura por áreas próximas às usinas sucroalcooleiras fizeram aumentar os preços das terras na região", disse.

Para os próximos anos, a expectativa é de estabilização nos preços, principalmente com o desestímulo dos produtores em relação ao preço pago pela cana, que caiu nesta safra.

ARRENDAMENTO
O maior prejudicado com o aumento no preço das terras é o arrendatário. "Com a valorização do preço da terra, o arrendamento também fica mais alto, desestimulando muitas vezes os produtores que dependem dele para produzir", disse Moimás.

A maioria dos produtores de grãos da região é arrendatário e o aumento no preço das terras é um dos principais motivos para a queda na produção de grãos nos últimos anos.

TOMATE
Dados também do IEA mostram que a maior valorização no arrendamento em dinheiro ocorreu nas terras destinadas para a cultura do tomate envarado, que saltou de R$ 130,17 em 1998 para R$ 578,51 o hectare em 2007. A segunda cultura que mais sofreu com o aumento no preço das terras foi a do arroz, cujo arrendamento do hectare de terra saltou de R$ 88,43 (1998) para R$ 371,90 (2006), valorização de 320,55%. A cultura praticamente desapareceu da região desde o ano passado.

O hectare para o cultivo da cana-de-açúcar valorizou 198% no período de 1998 a 2007, passando de R$ 144,67 para R$ 431,12.

Fonte: Folha da Região

 


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