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| Noticias do Mercado de Terras |
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30/01/2009 Crise derruba preço da terra destinada à agricultura em Mato Grosso
Análise do comportamento de preços indica que na região de Rondonópolis, a desvalorização foi superior a 4%
Marcondes Maciel
Depois de atingir níveis recordes nos últimos anos, o preço da terra destinada à agricultura, em Mato Grosso, encerrou 2008 em queda, revela levantamento da AgraFNP.
A pressão decorre da saída generalizada de compradores do mercado e reflete sobretudo nos imóveis rurais voltados à produção de agroenergia. “Houve pouquíssimos negócios nos últimos quatro meses, o que significa que uma crise de liquidez já se instalou também neste mercado”, afirma Jacqueline Bierhals, analista do Mercado de Terras e gerente de Agroenergia da AgraFNP.
A estagnação dos preços - e do mercado - neste momento mostra também a apreensão do investidor (mesmo os mais capitalizados) em realizar aquisições de terras, investimento de baixa liquidez.
A análise do comportamento de preços indica que na região de Rondonópolis, que concentra as terras mais caras do Estado, a desvalorização foi de 4,65%, com os preços do hectare recuando de R$ 11 mil, em dezembro de 2007, para R$ 10,5 mil, no final do ano passado. As lavouras de cana-de-açúcar e de grãos são as principais responsáveis pelos preços mais elevados da terra na região de Rondonópolis.
O relatório da AgraFNP aponta que as terras mais baratas de Mato Grosso encontram-se na região de Aripuanã (1.002 Km a Noroeste de Cuiabá), onde um hectare de mata de difícil acesso vale cerca de R$ 150. As áreas que mais se valorizaram nos últimos 12 meses foram as áreas de cerrado em Comodoro (644 Km a Oeste de Cuiabá), na região de Pontes e Lacerda (273,5%) e as que mais se desvalorizaram foram as áreas de mata em Feliz Natal/Tapurah, região de Sinop (500 Km ao Norte de Cuiabá), com queda de 32,5%.
BRASIL – Enquanto em Mato Grosso o hectare de terra agricultável atingiu o preço máximo de R$ 10,5 mil na região de Rondonópolis (210 Km ao Sul de Cuiabá), o preço médio no Brasil - bimestre novembro-dezembro/08 - foi de R$ 4,33 mil, ante R$ 4,34 mil apurado em setembro-outubro/08.
Comparando-se a média atual com o valor de 12 meses atrás (janeiro-fevereiro/08), houve valorização nominal de 8,3%. Mas, descontando-se a inflação no período, nota-se perda real de patrimônio de 0,8%. Em relação aos valores praticados há 36 meses (R$ 3,07 mil/hectare), verifica-se valorização nominal de 40,7% e real de 5,7%, em média.
A região Centro-Oeste continua sendo a que mais valorizou nos últimos 36 meses, com 46% de alta. A maior valorização no Centro-Oeste decorre principalmente dos investimentos em cana-de-açúcar na região. De acordo com os analistas, a mecanização e modernização das propriedades rurais têm favorecido a região e o conseqüente aumento no preço da terra.
Na seqüência vêm as regiões Nordeste e Sul, com valorização de 43,9% e 43,3%, respectivamente. O preço na região Norte aumentou em média 38,4% e, na região Sudeste, houve a menor valorização: 36%.
Em 2008, dados da AgraFNP mostram que os preços das terras agrícolas brasileiras foram recordes em termos nominais. Descontando-se a inflação, os valores só ficaram abaixo dos praticados no início de 2004, época em que a soja atingiu cotação recorde na Bolsa de Chicago.
A expectativa para 2009 ainda não é clara e está bastante atrelada ao cenário econômico. “Parece inevitável que os preços das terras comecem a recuar, mas, por paradoxal que possa parecer, se a situação piorar ainda mais, pode ocorrer uma corrida para os chamados ativos reais. Neste caso, ao contrário de se desvalorizar, as terras poderiam então ter reação de preços”, afirma José Vicente Ferraz, diretor técnico da AgraFNP.
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