07/02/2009
Turbulencia Valoriza 12,5% preço da terra
A crise financeira global começa a afetar o mercado de terras no Brasil. Nos últimos 12 meses, valorização média dos preços das terras foi de 12,5% em termos nominais. Descontando-se a inflação no período, houve ligeira queda de 0,1% em 12 meses, o que significa que já começa a haver perda de patrimônio.
Apesar de o agronegócio do Centro-Oeste ser o mais atingido pela crise financeira, por causa da queda dos preços que acentua o alto custo da logística, a região foi a que apresentou a maior valorização em 36 meses nos preços das terras. De acordo com secretário estadual de Agricultura, Paulo Martins, a produtividade do solo goiano aliada à implantação da Ferrovia Norte-Sul explica o bom resultado. Além disso, o Estado ainda tem grande quantidade de áreas disponíveis para expansão de culturas.
Presidente da Faeg, José Mário Schreiner diz que, mesmo com constatação positiva, novas pesquisas devem apontar queda nos preços de terras da região. “Os últimos 36 meses não refletem os impactos dessa crise financeira, que provocou restrição no crédito e queda dos preços das commodities agrícolas.”
Segundo José Mário, o agronegócio passou por crises nas safras de 2003-2004, 2004-2005 e 2005-2006, com relativa recuperação a partir de 2006-2007. “A situação estava relativamente razoável no campo, mas agora que a crise estourou, o cenário é totalmente diferente.”
No bimestre setembro-outubro, o preço das terras na média foi de R$ 4.341/hectare, praticamente estável em relação ao bimestre anterior (julho-agosto), quando a média foi de R$ 4.334/hectare. Levantamento mostra que na média de 36 meses atrás (R$ 3 082/hectare), verifica-se que a valorização foi de 40,9%. Diante de inflação acumulada de 23,6% no período, chega-se a ganho real de 5,4%.
Espera
Analista de mercado da consultoria Agra FNP, Jacqueline Bierhals comenta que o momento é de espera, ou seja, suspensão de negócios até que a verdadeira extensão da crise seja conhecida. O impacto maior é nas áreas localizadas nas novas fronteiras agrícolas, principalmente na região conhecida por Mapito (Maranhão-Piauí-Tocantis) e o no oeste baiano, onde se concentra investimentos de grupos estrangeiros na compra de terras. “A maioria dos negócios engatilhados foi adiada para início de 2009, mas nada garante que esse prazo não venha a ser estendido. Vale ressaltar que não houve queda nos preços na região”, diz Jacqueline.
A analista observa que o mercado de terras sempre deve ser analisado em longo prazo. Aparentemente, os investidores, tanto estrangeiros quanto nacionais, continuam enxergando nas terras agrícolas do Brasil boa oportunidade de investimento. “Particularmente as terras voltadas à agroenergia são promissoras no que tange à perspectiva de valorização”, diz Jacqueline.
Jacqueline afirma que produtores de grãos, os que mais negociam terras no Brasil, devem continuar com atuação limitada devido ao peso de dívida e à restrição de crédito.
Fonte: Diário da Manhã