Noticias do Mercado de Terras
11/04/2009
Procura leva preço de terra às alturas em Minas Gerais

Lances de até R$ 20 mil por um hectare de terra na vizinhança de áreas escolhidas a dedo pelas grandes empresas de mineração e siderurgia em Minas Gerais ainda resistem à forte desaceleração dos negócios no mercado de compra e venda de terrenos, depois do duro golpe imposto à indústria pela crise financeira mundial. Passado o susto com uma certa paralisia dos investidores, as ofertas de imóveis rurais ressurgem com fôlego em municípios da Região Central e do Norte de Minas, que até setembro de 2008 viviam sob o impacto da prosperidade prometida por novas reservas minerais e fronteiras do cultivo de eucalipto e de plantas destinadas à produção de biodiesel.

A despeito da turbulência na economia, os preços chegam a ser 500% superiores aos valores encontrados há dois anos, quando os investimentos bilionários para exportação de minérios e aço começavam a sair do papel, segundo corretores com larga experiência e prefeituras do interior. Apesar da paralisação das atividades nas minas e da redução do nível de produção do setor siderúrgico, esses projetos continuam a influenciar também a negociação de terras agrícolas no estado. Levantamento mais recente da consultoria AgraFNP, feito no primeiro bimestre deste ano, indica que as terras mais valorizados nos últimos 12 meses em Minas foram as áreas agrícolas de baixa produtividade de café em Capelinha, na região de Governador Valadares, com alta de 80%.

Há 10 anos no ramo imobiliário, o corretor Ivan Custódio da Silva jamais viu disputa tão concorrida por terra em Itatiaiuçu – município distante 58 quilomêtros de Belo Horizonte com apenas 8,9 mil habitantes –, que saiu do anonimato na recente corrida de multinacionais atrás das jazidas ricas em minério de ferro da Serra Azul de Minas. “As empresas acabam pagando preços fora da realidade para ter pontos estratégicos. Os proprietários querem o que a terra não vale, só pela expectativa de investimentos na região”, afirma. Entre 2006 e o ano passado, compraram áreas em Itatiaiuçu ou municípios vizinhos gigantes da siderurgia como o grupo ArcelorMittal e a Usiminas.

À procura de terrenos para as empresas cumprirem seus planos de expansão, que são de longo prazo, Ivan Silva diz que as ofertas alcançam R$ 50 mil por hectare, que até 2006 era adquirido por não mais de R$ 10 mil. “A valorização é inevitável quando grandes empreendimentos se instalam”, afirma o prefeito de Itatiaiuçu, Wagner Mendonça. A especulação imobiliária avançou sobre a cidade, elevando os aluguéis de casas de dois quartos a um salário mínimo (R$ 465), frente à faixa de R$ 250 a R$ 300 há dois anos.

Na região de Jeceaba, Entre Rios de Minas e São Brás do Suaçuí, não há crise no mercado de terras e, dependendo do imóvel procurado, já não são encontradas áreas disponíveis, informa José Evangelista Ribeiro, perito, avaliador e há seis anos atuando como corretor de imóveis. Típico município sustentado pela renda gerada no emprego público e na agricultura de subsistência, Jeceaba, com seus 6 mil moradores, foi escolhida para abrigar a fábrica de tubos de aço da francesa Vallourec & Mannesmann em associação com o grupo japonês Sumitomo Metals. As obras da nova empresa, a VSB, avaliadas em US$ 1,6 bilhão, começaram em setembro de 2008 e sua conclusão está garantida, conforme anunciaram os sócios do empreendimento.

“A especulação é grande. Em Jeceaba, pede-se R$ 15 mil a R$ 20 mil por hectare, o dobro do que seria razoável para a região”, afirma Ribeiro. Poucos quilômetros na direção de Congonhas, a nova onda de valorização ainda tem muito fôlego para se manter. A cidade histórica abriga a Mina Casa de Pedra, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que, a despeito da crise mundial, manteve o projeto de construir no município sua primeira siderúrgica em Minas, além de expandir a mineração, com recursos orçados em R$ 9 bilhões. Terras consideradas ruins para agricultura foram vendidas na área destinada ao projeto da siderúrgica por R$ 8 mil a R$ 12 mil o hectare, valor 140% maior que as cotações de dois anos atrás.

Fonte: uai



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