Noticias do Mercado de Terras
19/04/2009
Preço da terra volta a subir no Brasil

Os investidores internacionais voltaram a prospectar negócios no Brasil, o que repercutiu favoravelmente no mercado de terras. O preço médio das terras agrícolas no Brasil subiu no primeiro bimestre de 2009, atingindo 4.373 reais por hectare, contra 4.330 reais no último bimestre de 2008. Este resultado é atribuído ao impulso dos preços da soja e de uma maior procura, principalmente por parte de grupos estrangeiros em investimentos no Brasil.

No último bimestre do ano passado, a cotação era de R$ 4.330, menor que os R$ 4.341 de setembro/outubro. O investidor estrangeiro, que se retraiu no fim de 2008, voltou a consultar preços para aquisição, sendo um dos principais fatores para a valorização da terra. No começo de 2009, comitivas de empresários chineses, americanos, alemães e holandeses visitaram as principais regiões produtoras de grãos do país. Não há registro de que negócios tenham sido fechados, principalmente pela proximidade da colheita da safra de verão. Neste período, os agricultores se concentram na produção e deixam para depois o investimento em novas áreas ou a análise de propostas pelas suas propriedades.

A valorização da soja na Bolsa de Chicago no primeiro bimestre de 2009, em relação aos dois meses anteriores foi de 1,95%. No mercado interno, chegou a valorizar 7,45%. A diferença se explica pela mudança de patamar do real ante o dólar desde setembro do ano passado, com o agravamento da crise financeira.

Para quem conseguiu escapar dos problemas climáticos e manter a produtividade, cada saca de produto exportado agora propicia obter mais reais que antes. A estiagem em muitas regiões do sul, também foi um dos motivos para que os preços agrícolas se recuperassem. O dólar atualmente na casa de R$ 2,20 nem se compara às mínimas de 2008, quando ficou abaixo de R$ 1,60 e prejudicou a competividade das commodities brasileiras no mercado internacional. Segundo o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho, todos esperavam outro comportamento do mercado de terras. "A expectativa era de quedas abruptas no valor do hectare, principalmente pelas restrições de crédito, capazes de inibir o financiamento para a aquisição de novas áreas. Porém com a soja na faixa de R$ 40,00 a R$ 42,00 a saca e uma produtividade acima de 50 sacas por hectare, foi possível obter renda acima do custo de produção". Diante destas circunstâncias o preço da terra se valorizou, no entanto, ela não ocorreu em todas as regiões do Brasil.

No interior paulista, região em que o espaço agrícola se divide entre grãos, café, cana-de-açúcar, pastagens e reflorestamento, os preços não se mostraram tão firmes. Segundo o Centro de Pesquisas e Projetos em Marketing e Estratégia (MARKESTRAT) da USP, no interior paulista há poucos negócios, principalmente porque as áreas são destinadas para a citricultura e a cana-de-açúcar, lavouras que já passaram por períodos de preços mais favoráveis. Com alta da soja e maior interesse do investidor estrangeiro por esta cultura, o preço médio do hectare no país bate novo recorde nominal. Os valores da terra são fortemente indexados às cotações da soja, o principal produto do agronegócio brasileiro, cujos preços estão firmes no Brasil, não apenas por conta do mercado internacional, mas também pelo câmbio mais valorizado.

Segundo a Consultoria AgraFNP, nos últimos 12 meses, a região que registrou a maior valorização em preço de terras foi o Sul. Entre os períodos de março-abril de 2008 e janeiro-fevereiro de 2009, as terras nesta região valorizaram-se em média 12,8%. Em seguida, foi o Nordeste com valorização de 6,6%, o Centro-Oeste com 3,2%, o Sudeste com 2,4% e o Norte com 1,6%. Com exceção da região Sul, as demais tiveram valorizações médias abaixo da inflação no período (7,5%). A não-confirmação da expectativa de queda forte nos preços das terras pode atrapalhar os planos de algumas empresas que reservaram caixa para aproveitar essas oportunidades para expandir os seus negócios.

Mesmo que o Planalto não demonstre uma política clara para este momento de crise no agronegócio, parece que bons ventos voltam a soprar nas planícies e no cerrado brasileiro.

Fonte: DiariodeMarilia



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