30/08/2008
Soja e algodão valorizaram a região oeste do Estado da BA
Nos últimos 30 anos, o preço do hectare de terra bruta no oeste baiano subiu cerca de 3.000%. Atualizando-se os valores para os dias de hoje, a cifra passou de R$ 81,60 para R$ 2.448, em média. Essa valorização se deu graças à inserção de culturas de soja e algodão em áreas do cerrado, antes utilizadas apenas para a pecuária extensiva.
O empresário Sérgio Schleder, que desde 1986 atua na atração de investidores para a região, destaca que ainda existe um “enorme” potencial de produção e confirma que há uma grande procura de terras por grupos de capital estrangeiro. Sem precisar números exatos, ele estima que 300 mil hectares, dos cerca de 1,6 milhão da região em produção, pertencem a grupos de capital vindo do exterior. Schleder enfatiza, no entanto, que na maioria dos casos os estrangeiros entram com os recursos, mas criam empresas brasileiras, para se adequar à legislação do Brasil.
“O foco principal ainda é o algodão, mas em poucos anos a cana-de-açúcar deverá ter lugar de destaque”, enfatiza o consultor de agronegócios Ivanir Maia, acrescentando que a demanda principal é por grandes áreas prontas para o cultivo, que podem chegar a R$ 15 mil o hectare. “A tendência é que os proprietários de pequenas áreas sejam ‘engolidos’ pelos empreendimentos de capital internacional e grupos de médio e grande portes vindos de outros Estados”.
Para o corretor Ataíde Cordeiro, a demanda está aquecendo o mercado. “Conheço um investidor de fora que, há quatro meses, comprou uma área custando 70 sacas de soja por hectare e já achou quem ofertasse 120 sacas de soja por hectare, mas ele não quer vender, apesar do lucro que teria”, diz Cordeiro. Para calcular o valor de terra na região, usa-se como parâmetro a saca de soja, cujo preço tem girado em torno de R$ 40 nas últimas semanas.
O corretor afirma ainda que a expansão agropecuária não se restringe às áreas de cerrado. Também nos vales, onde chove menos e as terras são mais baratas e destinadas à pecuária ou agricultura irrigada, há grande procura. “A tendência é de que em um prazo de dez anos toda a região esteja ocupada”.
ENTRAVE – O vice-presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Sérgio Pitt, afirma que a falta de uma logística de transportes tem sido um entrave para o crescimento da produção, mas a expectativa é de que a Ferrovia Bahia-Oeste, recém-aprovada pelo Congresso Nacional, “aumente ainda mais a procura por terras na região”.
De acordo com a Aiba, o oeste tem quatro milhões de hectares agricultáveis, sendo que na safra atual 1.625.840 foram plantados, para produzir cinco milhões de toneladas de grãos e fibras.
Fonte: A Tarde On Line