Noticias do Mercado de Terras
31/05/2009
Desvalorização chega a 33% no Estado do MT

Depois de alcançar níveis recordes em 2006 e 2007, após o estopim da crise no campo em 2006, o preço da terra destinada à agricultura, em Mato Grosso, voltou a registrar declínio no segundo bimestre de 2009 (março/abril). As extensões que sofreram a maior desvalorização em território mato-grossense, segundo levantamento da AgraFNP, foram as áreas de cerrado em Brasnorte (noroeste) e Nova Maringá (médio norte), onde os preços do hectare despencaram de R$ 1,2 mil para R$ 800, na região de Tangará da Serra, com 33,3% de desvalorização.

A análise do comportamento de preços indica que as terras mais baratas encontram-se na região de Aripuanã (1.002 ao norte de Cuiabá), onde um hectare de mata de difícil acesso vale R$ 150. Na região de Vila Rica (oeste), o hectare de terra de pastagem nativa em várzea está cotado a R$ 300 e, em São José do Xingu e Confresa, R$ 360, ambos ao nordeste da Capital.

A pressão decorre da saída generalizada de compradores do mercado e reflete, sobretudo, nos imóveis rurais voltados à produção de agroenergia. “Houve pouquíssimos negócios nos últimos meses, o que significa que uma crise de liquidez já se instalou também neste mercado”, afirma Jacqueline Bierhals, analista de Mercado de Terras e gerente de Agroenergia da AgraFNP. (Veja quadro ao lado)

A estagnação dos preços - e do mercado - neste momento, mostra também a apreensão do investidor (mesmo os mais capitalizados) em realizar aquisições de terras, investimento de baixa liquidez.

ESTRANGEIROS - “Mato Grosso já vinha, há algum tempo, apresentando problemas de liquidez por conta das dívidas dos produtores. O que vemos no momento é a entrada de empresas estrangeiras no Estado comprando ou arrendando terras”, diz, citando o exemplo das argentinas El Tejar e Los Grobo, que fortaleceu a sua presença em Mato Grosso em 2007 e 2008.

A analista lembra que nos últimos meses os investimentos praticamente se estagnaram. “Os poucos negócios que ainda acontecem estão localizados nos estados do Maranhão, Tocantins e Piauí, onde as terras são relativamente mais baratas em relação à região Centro-Oeste”.

Para ela, as terras destinadas à produção de grãos continuam com preços elevados. Isso ocorre porque a maioria dessas áreas é indexada em sacas de soja. No entanto, Jacqueline lembra que os problemas climáticos em algumas regiões produtoras impuseram viés de baixa aos preços das terras.

“Com as quebras de safras de verão e inverno em algumas regiões, a rentabilidade do produtor ficou prejudicada, e isso deve restringir fortemente os investimentos em terras em 2009”, prevê.

Jacqueline afirma que com a expansão da crise, o investidor estrangeiro está dando preferência por regiões de melhor logística e preços de terra mais baratos. Por isso, segundo ela, Mato Grosso está deixando de ser atrativo para este tipo de negócio.

“Temos pontualmente produtores que estão em situação melhor, sem dívidas. Porém, até mesmo esses poucos produtores estão cautelosos. Já ouvi falar de produtores de Mato Grosso que estão comprando terras em outras regiões onde não há tantas restrições ambientais”.

A tendência, na avaliação de Jacqueline, é o produtor - em caso de ampliação da produção - reincorporar as terras já abertas ao processo produtivo, ao invés de abrir novas áreas, devido à sua baixa capacidade de investimentos.

Diante deste cenário, a analista vê 2009 sem perspectivas de valorização e um número muito pequeno de negócios. “Como os preços das terras são atrelados à saca da soja, que hoje estão com boa cotação no mercado internacional, os preços da terra em Mato Grosso continuarão firmes, porém sem liquidez”.

Fonte: Diário de Cuiabá/MT



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