Noticias do Mercado de Terras
08/02/2010
Terras valorizadas em Mato Grosso
Nos últimos 36 meses Mato Grosso já acumula valorização de 38,80% em terras destinadas à agricultura

MARCONDES MACIEL

Terras férteis, clima bom e regime de chuvas bem definido fazem de Mato Grosso um dos Estados mais cobiçados pelos investidores. Tanto que, depois do ligeiro declínio no primeiro trimestre de 2009, motivado pela crise financeira global, os preços das terras agrícolas reagiram no segundo semestre e encerraram 2009 com valorização de 4,70% em relação aos números de 2008. Mais: nos últimos 36 meses Mato Grosso já acumula valorização de 38,80% em terras destinadas à agricultura. Os números fazem parte de levantamento do Instituto AgraFNP, divulgados esta semana.

Para 2010, a previsão é de que se mantenha a tendência observada no último semestre de 2009, especialmente em terras com aptidão para o plantio de grãos com alta produtividade. Seria o caso das regiões Sul (Rondonópolis, Pedra Preta, Itiquira, Serra da Petrovina), Leste (Primavera e Campo Verde) e Médio Norte (Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Diamantino).

De acordo com os especialistas, a forte demanda por alimentos e a escassez de áreas agricultáveis no mundo continuam dando suporte para a alta nos preços das terras, que devem permanecer nesse ritmo por mais algum tempo. Entretanto, os preços da terra sofrem influência das cotações da soja, o que pode desestabilizar o ritmo das valorizações já no primeiro semestre do ano.

“Historicamente, sempre tivemos os preços das terras indexados à cotação da saca da soja. No primeiro semestre do ano passado houve um pequeno descolamento dessa relação devido aos efeitos da crise mundial. A partir do segundo semestre, contudo, os preços voltaram a se recuperar com a retomada dos investimentos e a chegada de grupos estrangeiros ao Estado”, afirmou a analista de Mercado do AgraFNP, Jacqueline Bierhals.

Ela diz que o investidor estrangeiro está dando preferência por regiões de melhor logística e preços de terra mais baratos. Por isso, segundo ela, Mato Grosso está perdendo atratividade em relação a outras regiões do país, como Maranhão, Piauí e Tocantins, conhecida como Mapito.

“Temos pontualmente produtores que estão em situação melhor, sem dívidas. Porém, até mesmo esses produtores estão cautelosos. Já ouvi falar de produtores de Mato Grosso que estão comprando terras em outras regiões onde não há tantas restrições ambientais”, aponta Jacqueline, lembrando que a atenção desses investidores está voltada principalmente para terras em regiões mais baratas, que exige aporte inicial menor e oferecem maior potencial de valorização.

A tendência, na avaliação da analista, é o produtor - em caso de ampliação da produção - reincorporar as terras já abertas ao processo produtivo, ao invés de abrir novas áreas, devido à sua baixa capacidade de investimentos.

Ela tem observado também sustentação da valorização, mesmo com os preços das commodities apresentando declínio nos últimos meses. “O valor da terra depende muito do fator logística. Temos preços variados em Mato Grosso. Na medida em que avançamos para regiões mais distantes dos portos de exportação, como o Norte e Noroeste de Mato Grosso e começamos a ter problemas ambientais e de logística, os preços das terras vão caindo. Há ainda o fator da qualidade da terra para a agricultura que também pesa muito na sua valorização para os investidores”.

Jacqueline diz que apesar do tímido crescimento da valorização das terras em 2009, o desempenho não pode ser considerado ruim. “Precisamos lembrar que a economia estava em crise no ano passado e que naquele momento ninguém queria investir devido à insegurança motivada pela falta de liquidez. No segundo semestre, entretanto, o mercado reagiu com a volta dos investidores e os preços das terras avançaram sustentados pelo bom desempenho do agronegócio”.

Diário de Cuiabá


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