Noticias do Mercado de Terras
01/07/2010
Mesmo sem muitos negócios, preço da terra goiana cresce

O crescimento da economia nacional atingiu também o mercado de áreas rurais no Brasil. A valorização das terras para este fim está ocorrendo e o valor começa a se recuperar em relação ao período da crise financeira mundial. Goiás é, atualmente, o sétimo Estado do País em preço médio de terras agriculturáveis, com valor médio de R$ 4.538,00. Regiões Sudoeste, Sul e Norte são as mais valorizadas e a Nordeste a que mais preocupa o governo estadual. O preço deve ficar ainda maior com a implantação da Ferrovia Norte-Sul.

Embora pareça uma contradição, o analista de mercado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Pedro Arantes, revela que este não é um bom momento para o setor. Ele confirma isto analisando os preços baixos do milho e da soja. "Há uma valorização nas terras, mesmo que o produtor não esteja bem economicamente. Podemos dizer que existe uma recuperação em relação à queda dos valores de 2008", afirma.

Jacqueline Bierhals, analista da consultoria AgraFNP, que realizou o estudo acerca dos valores médios nacionais, acredita que este fator é novo no País. Pela primeira vez, conta ela, o preço da terra está dissociado ao das commodities e isto se explica por um entendimento do proprietário de que a terra é um artigo seguro e finito. A analista percebe o Estado como consolidado e não em transformação, o que é um obstáculo para a especulação das áreas.

Pedro diz ainda que a procura por terras não é por parte do produtor goiano e que, mesmo assim, tem sido pequena, já que os investidores externos querem grandes áreas e o Estado não as possui. "Não há essa referência de grandes negócios, porque em Goiás já não existe grandes áreas. A procura por parte desses investidores tem sido maior na região do MAPITO [Maranhão, Piauí e Tocantins]", confirma. Desta forma, Pedro acredita que o aumento dos preços se dá em função do desempenho geral da economia no País.

Segundo ele, os valores das terras estão em relação com a sua vocação, sendo as planas as mais caras por serem próprias para o cultivo de grãos, como a soja. Em Goiás, os preços são mais altos em culturas de grãos e cana-de-açúcar (valor médio de R$ 5 mil) e, em seguida, da pecuária (R$ 3 mil, em média). Até por isso, a região Sudoeste é a que possui o hectare mais valorizado do Estado. "Isto é relativo, pois dentro da própria região há uma variação. Em Caçú, por exemplo, encontramos preços de até R$ 10 mil, mas cerca de 40 km depois isso cai em até 20%", relativiza Pedro.

A analista da AgraFNP vê o Estado com pouca procura externa e que no Centro-Oeste o Mato Grosso é mais valorizado, por possuir áreas planas de grande extensão. "Em Goiás, a região da cana e dos grãos é a mais valorizada. A pecuária é menos dinâmica, logo, menos especulada", conta Jacqueline. Para ela, a consolidação da agroindústria, com o setor sucroalcooleiro, também foi determinante para a expansão dos preços na região centro-sul.

PROBLEMA
Em contrapartida, a região Nordeste é a que possui o hectare mais barato. O analista de mercado acredita que isto ocorra por esta ser uma região muito acidentada, sem uma vocação específica, onde "não se encontra extensão plana nem de mil hectares". A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de Goiás, por sua assessoria, revela que o governo tem trabalhado no sentido de valorizar a região. A intenção é de regulamentar as terras e o investimento para tal chega R$ 1,2 milhão.

Existe também um programa de geoprocessamento agroecológico de todo o Estado até o final deste ano, cujo objetivo é mapear áreas que podem ser recuperadas e estudar quais as culturas adequadas para este feito. Atualmente, 3,8 milhões de hectares em Goiás são agriculturáveis e outros 2 milhões são áreas de pastagens degradadas, passíveis de recuperação. Outra ideia que surge como alternativa para o Nordeste é um projeto junto ao governo federal para angariar recursos que beneficiem os proprietários da região que possuem áreas de Cerrado preservado.

Pedro Arantes acredita que os incentivos são importantes para a reação do mercado, mas existe também o problema da infraestrutura. Segundo ele, a finalização da Ferrovia Norte-Sul será importante também na valorização das terras da região Norte, que poderá crescer em até seis vezes, por conta da facilidade do escoamento da produção e do transporte de insumos. Pela proximidade, o Nordeste também poderá ser valorizado, embora em menor intensidade, desde que se encontre uma vocação para área, por exemplo a frutífera, como aposta o analista.

Preço médio de área em Goiás - R$ 4.538,00 o hectare
Variação nos últimos 12 meses - 47%
Variação nos últimos 36 meses - 11%
Variação de preços - Entre R$ 10 mil (áreas mais valorizadas na região Sudoeste) e R$ 600 (áreas menos valorizadas na região Nordeste)
Lugar no ranking nacional de valor médio - Sétimo (Primeiro lugar é São Paulo, com R$ 12 mil)
Região goiana mais valorizadas - Sudoeste
Região goiana menos valorizada - Nordeste

*Publicada no jornal Diário da Manhã, 06/2010

Fonte: Blog Vandré



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