26/09/2008
Estrangeiros inflacionam preço da terra
Em 7 meses, 203 mil hectares foram parar nas mãos de cidadãos e empresas de outros países; procura eleva valor e preocupa Incra
Para denunciar a presença de estrangeiros proprietários de terras no Brasil e justificar o envio de um projeto de lei ao Congresso para restringir a participação de cidadãos e empresas de outros países, o governo liberou um balanço das negociações ocorridas em 2008. Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) mostram que, nos últimos sete meses, 203 mil hectares de terras brasileiras foram parar nas mãos de estrangeiros.
Esses números, adverte o presidente do Incra, Rolf Hackbart, certamente estão subestimados, porque os cartórios hoje não são obrigados a registrar separadamente as terras compradas por brasileiros e por estrangeiros e repassar esses índices para o Instituto.
O aumento na busca eleva o preço das terras e obriga o Incra a pagar mais caro por áreas rurais desapropriadas para a reforma agrária. No ano passado, de acordo com dados do Instituto FNP, o preço médio das terras subiu 17,83%. Essa, de acordo com o presidente do Incra, é uma das razões para a restrição à compra de terras por estrangeiros. ''Eu não quero concentração de renda só nas mãos dos estrangeiros'', afirmou Hackbart.
A proposta, porém, encontra resistência entre os produtores rurais, que receiam a diminuição dos investimentos estrangeiros no campo depois de aprovadas as novas regras. ''Isso me parece um pouco de xenofobismo'', afirmou o presidente da Comissão de Assuntos Fundiários da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Leôncio Britto. ''Essa mudança de classificação poderá afetar a entrada de capitais estrangeiros no Brasil. E o que nós ficamos sem entender é que quando entra o capital limpo, para produzir, gerar emprego e renda, querem colocar restrições, mas quando entra o capital especulativo, há facilitação'', acrescentou.
A crítica é rechaçada pelo presidente do Incra. ''Isso não é xenofobismo, é soberania. Isso é uma questão de impor limites, porque essas terras são patrimônio do país'', afirmou. E o argumento é referendado pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI). ''O Brasil não está num estágio de leilão. O que nós precisamos é de investimento seguro, que não nos cause problemas depois. É muito melhor às vezes preservar uma área do que entregar para um estrangeiro que não sabemos que objetivos reais busca'', acrescentou.
Fonte: Agência Estado